Há uma imagem minha que me faz sempre rir.
De todas as vezes que andava de bicicleta caía e esta acabava sempre em cima de mim. Não havia queda em que nos separássemos. Eu e o celim funcionávamos como uma espécie de cordão umbilical.
Mas um dia achei que isso ia acabar, quando atrás de minha casa, lá andava eu a pedalar por aquele espaço onde ocorria toda uma dinâmica de obras, montanhas de cimento, betão armado e camiões. Pedalava sem fim enquanto contemplava o horizonte, até ouvir um buzinar monstro de um camião que era, afinal e no fundo, o meu real horizonte. Era então o meu horizonte com uma grelha Salvador Caetano ao encontro da qual eu tão sabiamente estava a ir.
Assustei-me de morte quando me vi tão perto daquele monstro, travei o que pude, mas fatalmente o movimento atlético deu lugar a uma desinteria de curvas e contracurvas, em série e inacabadas, que me fez mandar um vôo digno de ovação.
Acabei no chão, safa de ter entrado directamente para aquela grelha, desgrenhada com os joelhos completamente rafados.
O mito, contudo, permaneceu. Eu fui o Pikolin daquele celim.
3 comentários:
Porque é que este não me surpreende?
Shôr Saraiva
oh meu amor, não voltes a escrever este tipo de posts que dá azar caraças!! um beijo enorme, txi amo
Pinipon
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