Hoje em dia já não há grátis para nada.
O grátis de hoje implica sempre um custo, um esforço ou uma figura triste.
Ainda sou do tempo dos grátis, grátis, grátis, mas mesmo grátis.
Uma entrada grátis porque pertencia à classe das crianças.
Umas pastilhas grátis porque vinham anexadas a um pacote de batatas fritas.
Uma bicicleta grátis porque se juntaram cupões de 5 pastilhas gorila e foram remetidos para um apartado qualquer.
Uma viagem grátis por uma frase original e parva sobre o Mário Soares.
Havia sempre qualquer coisa de realmente grátis.
Havia.
Ainda ontem decidi travar na montra de uma agência de viagens (sim, já sei que isso também é uma forma de ultraje a mim mesma...) e lá olho de lado para a palavra "grátis".
Então "grátis crianças".
A frase maravilha com um boneco bebé muito sorridente. Depois em letras tão insignificantes que até me ficaram a doer o olhos do zoom que tive de fazer: "crianças a partir de 399€".
E pensei para mim mesma: mas será que estou a entrar numa espiral de Floribela em que tudo é caro e pobres dos ricos que não têm nada, mas que têm tudo, mas que não têm nada?
Mas não, o grátis é uma mania realmente irritante de os marketeers mostrarem que 90% dos consumidores são acéfalos. Desde quando 399€-uiiiiiiii-ainda-não-somos-400€ é grátis?!
Isto é para uma pessoa se sentir mal?
Ponham "acessível", "bom preço", "vale a pena", "compensa", "pense pelo menos duas vezes". Ponham um sem número de alternativas menos chocantes ao grátis.
Coitado do grátis, mais vendido que as meninas da profissão mais antiga.



