terça-feira, 30 de setembro de 2008

Eu é que não sou parva!

Hoje em dia já não há grátis para nada.
O grátis de hoje implica sempre um custo, um esforço ou uma figura triste.
Ainda sou do tempo dos grátis, grátis, grátis, mas mesmo grátis.
Uma entrada grátis porque pertencia à classe das crianças.
Umas pastilhas grátis porque vinham anexadas a um pacote de batatas fritas.
Uma bicicleta grátis porque se juntaram cupões de 5 pastilhas gorila e foram remetidos para um apartado qualquer.
Uma viagem grátis por uma frase original e parva sobre o Mário Soares.
Havia sempre qualquer coisa de realmente grátis.
Havia.
Ainda ontem decidi travar na montra de uma agência de viagens (sim, já sei que isso também é uma forma de ultraje a mim mesma...) e lá olho de lado para a palavra "grátis".
Então "grátis crianças".
A frase maravilha com um boneco bebé muito sorridente. Depois em letras tão insignificantes que até me ficaram a doer o olhos do zoom que tive de fazer: "crianças a partir de 399€".
E pensei para mim mesma: mas será que estou a entrar numa espiral de Floribela em que tudo é caro e pobres dos ricos que não têm nada, mas que têm tudo, mas que não têm nada?
Mas não, o grátis é uma mania realmente irritante de os marketeers mostrarem que 90% dos consumidores são acéfalos. Desde quando 399€-uiiiiiiii-ainda-não-somos-400€ é grátis?!
Isto é para uma pessoa se sentir mal?
Ponham "acessível", "bom preço", "vale a pena", "compensa", "pense pelo menos duas vezes". Ponham um sem número de alternativas menos chocantes ao grátis.
Coitado do grátis, mais vendido que as meninas da profissão mais antiga.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Aqui há tique III

Mas havia necessidade de a Tina Turner andar sempre de pernas abertas?
Não havia Tina, tem tino.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Mania de falar mal

Que a futura geração de jovens adultos vai ser muito diferente da que temos actualmente, isso já nós sabemos (quem não sabe fica desde já a saber).
Agora que a futura geração de jovens adultos terá que ter permanentemente a conhecida bolinha vermelha no canto superior direito do ecrã onde actuam, isso já é uma informação mais ou menos nova.
Quem é que nunca leu aquela rúbrica, mail, folha de revista, escrita pelo Nuno Markl em que fala da geração nascida na década de 70 e 80? E o que nos rimos e revimos por sentirmos na pele que andar à pedrada e a comer relva sem histerismo dos progenitores, acabou por nos conferir um status em vias de extinção.
Somos os últimos bons.
Somos os últimos duros.
Somos a última fruta da época. Parece-me que a seguir vem tudo podre.
É oficial que existe a mania de se falar mal. Tem que se falar mal para se ser cool. Tem que se falar mal para se ganhar algum poder.
A grande maioria dos adolescentes (claro que haverá sempre aquela franja de pessoas com idade para terem, pelo menos, linguisticamente juízo) gostam de, numa frase, dizer 10 asneiras e palavras altamente estúpidas a meu ver.
"Está alte dia!".
O que é que facilita dizer "alte"?!
Consigo compreender, por exemplo, o "bué", eu também o dizia em todas as frases que pudesse. Facilita e é nice. Não vamos dizer "muito" e "extremamente" com 17 anos. Temos de ir dizendo "bué", encurta e facilita. Mas já que não é para facilitar, ao menos que tivesse a tal estética cool. Não é o caso. É totalmente forçado.
Mas enfim, estas coisas até escapam.
Agora perceber que existe um tique assumido em saber muito de tecnologiazinhas, o melhor Ipod, a PS3, telemóveis, mp3, programinhas de internet dos mais variados e depois dar calinadas gravíssimas como a que ouvi na semana passada, deprime e de que maneira.
O melhor mesmo é vedarem o acesso a todos os orgãos de poder a esta futura geração.
Temo que não consigamos ter uma velhice digna.
Portanto, ia eu no metro, na minha viagem para casa e um grupo de estudantes universitários ao meu lado a trocarem as mais diversas impressões. Chega o momento que me marcou, vindo de um ser que teria, no mínimo, 20 anos:
- ya....acho que isso é tipo aquelas cenas das árvores ginecológicas!
E o grupo continuou a falar, sem riso geral, sem correcção, sem achar que foi dito ali algo de mais ou menos incorrecto, pouco científico, inexistente.
Um grupo de 8 pessoas, meus amigos. 8 pessoas, só ali.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

E depois o Chocapic...


Então mas alguém me sabe explicar porque tanto gostamos nós de ler os rótulos de cereais quando nos decidimos abancar a tomar o pequeno almoço (long time, no see ) ?
Alguém me sabe explicar porque é que de repente queremos tanto ler o regulamento para o concurso "sê um chocapic na tua escola"?
Alguém me sabe explicar porque é que os valores nutricionais da porcaria dos cereais têm tanta importância naquele momento e a seguir vamos almoçar um bife com batatas fritas que rebenta certamente com o que seria desejável em termos nutritivos?!
Alguém me sabe explicar porque é que quando vemos DDR* , somos impelidos a ir confirmar que somos até cultozinhos e que significa mesmo Dose Diária Recomendada?
Não estou sozinha neste mistério, pois não?!

Porquê?

Oh pá, mas porque é que eu não consigo ouvir uma música seguida no carro? porquê?! É que não me consigo controlar. É mais outra tara ou mania ( como diz o meu querido amigo Marco Paulo- que saudades das tuas músicas, Marco...) que se tem vindo a agravar na minha pessoa. Não consigo aguentar uma música inteira no carro, não consigo ouvir mais 2 de minutos a mesma frequência de rádio, não consigo ouvir mais de 5 músicas do mesmo cd, não dá.
Nas viagens levo sempre o porta-luvas aberto para ir tirando todos os conjuntos de cd´s e desenvolvi, aliás, uma destreza incrível em abrir o porta-cd´s, analisar bem o que vou querer, ejectar o cd que já fartou, inserir o que não vai durar muito, enfim. Nisto já sou boa! Em Portugal, devo ser a mulher que mais cd´s muda por km percorrido!
A minha fiel viatura, para piorar mais as coisas, tem um infernal comando no volante que me permite tornar ainda mais esquizóide o rádio.
E pronto é mais um tique. Para a semana há mais.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Aqui há tique II

A amiga Judite de Sousa junta-se à grupanga dos tiques!! Fala (e fala bem, sim senhor!) com um cunho diferente nos "r"s. O seu "sotôd" porque não consegue dizer "sotôr", o seu "percebed" porque não consegue dizer "perceber" e o seu "azad" nesta sua relação com a letra R só para ter 99,999999% de legitimidade quando está a falar!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Simpatia- esse tique!

Existe um senhor porteiro do prédio onde trabalho com um tique de (extremamente) bem com a vida. E é um tique de bem com a vida porque só isso pode explicar porque é que este dito senhor é sempre tão cordial, seja aquilo osso do ofício ou não! A verdade é que sai-lhe com muita naturalidade e sentimento.
Então uma pessoa passa de manhã, bem trombuda, com azia na voz e sangue quase a jorrar dos olhos, e não é que ele não se demove da simpatia?! Avanço meramente com o meu bom dia social, ao que ele responde sempre com um bom dia espontâneo, sentido e amável! Vocês acreditam nisto?!!! Não é de uma pessoa o abanar, como se abanam aquelas máquinas do metro com chocolates quando o que escolhemos fica pendurado!!
E o pior é que nunca se fica por uma deixa espontânea, meiga e simpática! Diz pelo menos duas de seguida. Não há quem o iguale, NÃO HÁ! É o tique da simpatia, a compulsão de proferir, pelo menos, duas agradáveis notas de boas vindas ou despedida.
Já o tentei fintar, encurralar pensando em 3 notas agradáveis sem que ele tivesse a mínima hipótese, a cauda de chance para ser mais simpático que eu. Mas nunca venci, já tive a taça na mão, mas nem que mais não seja ele ganha-me com o remate do "se Deus quiser" completando a minha 15ª nota agradável que possa ter dito sem respirar.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Aqui há tique I

A celina tem diversos aliás. Mas eu adoro (irrita-me, claro) este tique dela de fazer biquinho a cantar à lá je suis graciosa et je tenho um potencial de voz extraordinário!

Tique Award

O prémio para melhor tique vai para os seres que piscam sobremaneira os olhos a falar como se tivessem uma fauna de bichos lá dentro! Muito bom! São os meus favoritos!

Calma que há mais!

Lembrei-me este fim de semana que tenho ainda outro tique. Pelo menos uma vez por dia, gosto de fixar os olhos numa direcção qualquer e só os desviar quando começam a arder! E acreditem ou não são uns valentes segundos de paz que acabo por conseguir! Uma paz seguida de um ardor, o que segue a regra nr. 34 da vida- gozar-para-depois-sofrer. Vá e não me venham com tretas que eu sei que não sou a única com estes lances meios masoquistas! Sei de pessoas (imagino que muitas congelem com esta minha afirmação muahahah) que quando têm uma ferida, passam o dia a arrancar a crosta e de alguma forma a magoar ainda mais o local afectado e sei de outras que estão sempre a morder o lábio até fazer ferida! E estes são tiques e dos maus!