quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pedalar...

Há uma imagem minha que me faz sempre rir.
De todas as vezes que andava de bicicleta caía e esta acabava sempre em cima de mim. Não havia queda em que nos separássemos. Eu e o celim funcionávamos como uma espécie de cordão umbilical.
Mas um dia achei que isso ia acabar, quando atrás de minha casa, lá andava eu a pedalar por aquele espaço onde ocorria toda uma dinâmica de obras, montanhas de cimento, betão armado e camiões. Pedalava sem fim enquanto contemplava o horizonte, até ouvir um buzinar monstro de um camião que era, afinal e no fundo, o meu real horizonte. Era então o meu horizonte com uma grelha Salvador Caetano ao encontro da qual eu tão sabiamente estava a ir.
Assustei-me de morte quando me vi tão perto daquele monstro, travei o que pude, mas fatalmente o movimento atlético deu lugar a uma desinteria de curvas e contracurvas, em série e inacabadas, que me fez mandar um vôo digno de ovação.
Acabei no chão, safa de ter entrado directamente para aquela grelha, desgrenhada com os joelhos completamente rafados.
O mito, contudo, permaneceu. Eu fui o Pikolin daquele celim.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Aqui há diversão V



Não calculam como sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre sempre quis uma casa destas. É que não calculam.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

É divertido porque já passou

Eu tenho que vos contar, tenho um trauma renal, tenho, sim senhor.
Não sei se alguma vez tiveram a sensação prolongada de que vão morrer. Eu tive e bem prolongada e tenho efectivamente que falar disto. Vou fazer psicanálise aqui convosco.
Vamos lá então...lights off.
Este ano, um belo dia, acordo para trabalhar e senti que ia morrer. Tão simplesmente assim. Senti que a vida me escapava não por entre os dedos, mas por entre os rins. Acordei então com uma dor lancinante que me fez pensar "são assim os fins dolorosos minha menina".
Só tive tempo de me vestir para o meu funeral. Vesti umas jardineiras, meti-me no carro, vi-me ao espelho do elevador e pensei outra coisa: "vou morrer e vão pensar que sou o Shrek, estou igual a ele". Já no carro, escolhi a rfm e lembro-me que estava a dar o odioso André Sardet. Pensei outra vez "tudo faz sentido, até esta música para o meu fim."
Como loira que sou decidi adiar o meu calvário e ir para um Hospital que não tinha urgências. Sabia lá eu...! Eu só queria não morrer a ouvir o Sardet, isso é que não!!
Retomo o caminho, agora em direcção ao Santa Maria e em contacto com o meu pai "pai não-sei-o-que-tenho-é-uma-dor-que-AH-MEU-DEUS-...-Deus-meu-Nossa-Senhora-Senhora-Nossa- Deus-Pai-Todo-o-Poderoso-Meu-Deus ( e a minha conversa já só era do trato religioso).
O meu irmão e cunhada já vão chegar em meu auxílio. Sim porque eu ia morrer.
Apanho-me em Telheiras e abandono o carro para vomitar pela última vez na minha vida. Vomito em frente a uma escola. Os pais a deixarem os filhos e fitavam-me com o aperto de nunca os quererem ver no meu estado, ainda embriagada de bacardis lemon (eu também pensaria isso, é um facto).
Marco o 112- tantas vezes gozei com este número...-a senhora não entendia que eu ia morrer, mas acabava de chegar o meu Inem particular "filhos vou morrer", pensei de novo.
Lá chega a ambulância. Deitada na maca pensava (sim, pensei muito neste dia) "que ao menos chegue ao matadouro e me possam deitar sossegadinha sem esta sensação de montanha-russa".
- Oh senhora Rosário é a primeira vez que sente isto?
Senti-me tão chicoteada, então mas poder-se-á lá sentir muitas mais vezes que se vai morrer?!!! Respondi como um cão:
- acabem-me com isto, meu deus...! (não conseguia abandonar o dialecto mais cristão).
Chego às masmorras do Santa Maria, fui picada umas quantas vezes, eu que tanto medo tenho dessas coisas, sentia que me podiam transformar numa rede de pesca, cheia de furos. Já não queria saber, só via o deboche daquele hospital com o meu irmão a fazer envergonhar o melhor enfermeiro.
Eu olhava para o tubo do soro e percorria todo o leque de palavrões que conhecia. O soro no fim, as horas passavam e a vida continuava em mim. Pensava se aquela espera já era o purgatório. Até no purgatório esperamos....BOLAS!
Metem-me outro tubo de soro, mais umas eternidades a agonizar na minha derradeira existência e comecei a sentir Deus, Jesus, os santos todos à minha volta. Levantei-me da maca, demos todos as mãos e riamos muito "caramba malta, foi defícél , mas vá lá que valeu a pena!".
Estava no céu e já não distinguia quem era Deus, quem era o Santo António, quem era o Ghandi. Eram todos tão lindos.
E foi assim que saí do Santa Maria, com os grandes divinos a levarem-me em ombros, enquanto hurravam o meu nome e eu apercebia-me de como era maravilhoso o cheirinho a escape.
Cheguei a casa e fui a sorrir para os meus lençóis, que lençóis lindos, olha-ali-a-tua-secretária-Rosarinho-olha, que secretária linda, tudo lindo.
Assim sim, assim vale a pena viver.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Nintendo humano


Há qualquer coisa nos bebés nipónicos que nos diverte mais que nos outros.
Há não há?

segunda-feira, 21 de julho de 2008

American woman, get away from me

Diverte a muita boa gente o facto de parecer bifa. Já a mim não me diverte lá muito, passando a enumerar algumas razões:
-acharem que sou inglesa. É uma afronta.... as inglesas são, a meu ver, pirosas e oferecidas, no país delas não há sol e têm uma família real que me irrita só de os ver nas fotografias, todos com os dentes amarelos e com um ar senil e ainda têm um render da guarda que me fez estar especada numa viagem de estudo a ver os soldadinhos destroçar por ali fora;

- ser interpelada por pessoas que me fazem gestos à bobo da corte olhaaaa sou tuga e não sei como se diz isqueiro em inglês, mas pronto tens fire minha?!;

- não poder estar no Algarve sem que ouça um excuse me diário;

- estar nas Docas a ver o nosso portugalinho jogar e ser barrada por um camera de uma tv inglesa para dar o meu testemunho enquanto bifa Oh portugal is such a lovely place....and you know, I mean....I´m truly in love with ehm... PASHTEISH DE BELÉN ahahaha! oh such a great time in Portugal, yeah, yeah....

- "podias perfeitamente ser americana". Esta foi das piores que já ouvi, porque até me foi dito em tom depreciativo, eu sei. E até entendo. Americanos? God bless you all e tal, são os maiores, são sim senhor, mas para mim são dementes e massificados e têm sempre a bandeirinha em riste atrás deles.

(sou uma pessoa com muito poucos estereótipos sim, é isso mesmo que estão a pensar).

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Aqui há diversão IV




Eu adoro todo e qualquer pôr-do-sol.
Eu adoro todo o santo e diabólico pôr-do-sol.
Eu adoro um pôr-do-sol mesmo que me tirassem maltesers da mão.
Copperfield tenta lá isto...!

Há expressões do caraças...

...ele há mesmo.
Logo esta do "ele" coisificado é o delírio para mim. Ele parece que vai nevar, fica logo outra coisa. Afinal que piada teria dizer vai nevar? piadinha nenhuma. Com um ele metido na história, tudo é diferente e para melhor.
Todavia (ou no entanto, se preferirem), o meu favoritismo vai para as duas seguintes:
Alto gabarito (número um)
Armar ao pingarelho (já esteve no número um)
Levada da breca (não tem força para número um, mas ainda assim pertence ao top 3).
O gabarito é mais inexplicável, é uma expressão que me dá risa, só isso.
Mas....quem é o pingarelho? quem é a breca? quem são eles? será que existiram? será que ainda existem, que me posso cruzar amanhã com o pingarelho na fila de um supermercado? que a breca costuma estar às 6as no Maxim´s? eles são pessoas, disso ninguém me tira a ideia. Só gostava de os conhecer, poder entender o que é que o pingarelho tem de tão superior e a breca de louca. E não tentem vir com explicações redutoras destes dois. Eles são especiais de certeza, não me derrubem o mito.

oi?

Por falar em serviço ao cliente (third season), ser atendido por um brasileiro, naqueles cafés agora muito em voga com nomes meios anglo-nipónicos, pode ser melhor que ver um bom filme de comédia.
Já são conhecidos os pedidos trocados ou mesmo os que nunca chegam. No entanto (ou todavia, como preferirem) a nata destas odisseias é fazer-se um pedido, simples, muito simples, e ocorrer um problema ao nível acústico e semântico. Dizer era uma tosta mista sff, já foi confundido por um cê dgisse um suco de abacaxi?. Aconteceu-me, podem acreditar.
Eu entendo que não é fácil trabalhar longe do calçadão, das peladas, do grão de areia e do sambinha. Tudo bem, pronto, calma. É um sumo de maracujá é, já passou, vá.
(não confundir com surdez. esse assunto é muito delicado para mim :/)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Aqui há diversão III


Esperar por esta trovoadinha e rir de medinho atrás dos vidros de uma janela. Ter a minha casinha aqui. O que eu me divertia também.

Menos perto do que é importante...

Por falar em serviço ao cliente, gosto muito de telefonar para uma qualquer linha de apoio às telecomunicações. A minha favorita é a da tmn (escrevo mesmo com minúsculas, se me permitem a confiança).
Aquela personalização do "Sô Dona Rosário, vamos ver o que podemos fazer para colmatar esta anomalia, peço-lhe que aguarde um instante" é poesia da melhor. Ora, um instante é vulgarmente conhecido e descrito como algo que está iminente, veemente e pertinaz. Acontece que se uma pessoa ainda tiver as bases da escola primária minimamente presentes e se ainda tiver a capacidade de noção de tempo, rapidamente entende que entre o conceito instante e o tempo que acabam por demorar há um momento lost in translation.
Portanto, o que há a fazer é esperar. Há uma anomalia a ser colmatada, isso sim é real.
Anomalia já é bonito, mas o verbo colmatar é mesmo o touch de eficiência que significa, mais gravidade ou menos gravidade da anomalia, ter de ligar umas 5 vezes mais até a boa da colmatação ser consumada.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Aqui há diversão II



era boa miúda para me divertir aqui também.

O que faz falta é espiar a malta

Adoro ir a uma loja e ter uma empregada atrás de mim. Revolteio alguma coisa e lá vai ela compôr no microsegundo seguinte. São ao que eu chamo as colaboradoras-vassoura. Mas essa é a qualidade.
Estes tipo de seres que podiam (e deviam) estar sorridentes e prestáveis, pois é o papel deles, a vida não é fácil para ninguém, portanto não vamos por aí, que deviam saber servir o cliente (TODOS servimos, quer queiramos, quer não!) costumam sim ter a notável capacidade de fazer sentir qualquer comum mortal um assaltante. É aqui que eu me divirto, fingindo que estou empenhada em assaltar e que estou até um pouco nervosa, emanando olhares muito fugazes e , normalmente, consigo criar um ambientezinho de tensão.
Costumam irritar-se se pedimos algo que não está exposto, muitas vão para o digamos....armazém, com raios e caveiras por cima da cabeça, como nas bandas desenhadas; outras vezes, dão aquele mote que me dá muito prurido o que existe está exposto ( e sempre dito de uma forma muito comprometedora e trombuda). Ora se o que existe está exposto, para que servirá um armazém? não temos resposta.
Na verdade, se formos educados temos que aceitar esta verdade de la Palice. Mas na minha pessoa fica sempre reprimido um balãozinho assertivo e proactivo "você desconfia de mim, não me deixa em liberdade mexer as coisas sem que me faça sombra e eu tenho que confiar que não existe mais nada do que está exposto?!!". Nunca consegui, não tenho este direito e tenho até alguma consciência do despropositado. Tenho sim.
Mas o que é que um armazém pode esconder da vida de uma loja? A verdade é mesmo a dura incerteza.
Para além destas questões que me assaltam durante a noite, e por forma a combater a ausência de respostas, continuo a fazer o meu número de assaltante-ai-que-estou-a-ser-descoberta nas lojas onde a pessoa que nos atende tem uma magnum calibre 44 ( oh o que eu percebo disto!) apontada à cabeça. É giro, é giro.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Aqui há diversão


não sei...digo eu.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Rosa Rosae Rosarum

As pessoas neste mundo que não se chamam Rosarinho não calculam o que perdem.
Toda a gente se devia poder chamar assim sempre que estivesse mais em baixo. Uma Joana neurótica devia ter, pelo menos, 15 dias semestrais de Rosarinho; já um Paulo revoltado umas horas semanais como possuidor deste nome feminino, e por aí fora...
Posso enumerar as situações mais recentes como estar num cabeleireiro e ouvir "está bom assim prá você, Rosanna?" e, não satisfeita a mesma personagem, quando ainda há a esperança que olhe para o cartão e veja o meu verdadeiro nome, "podi pagar com visa, Susana!" . Portanto, só nesta situação uma única mulher consegue dar-me nome de cantora e num segundo momento passar então a atribuir-me um outro normativo; No trabalho já é mais que um habitué o deturpar do meu nome- atender o telefone "estou sim, gostaria de falar com o Rogério Aleixo". Agora sim! Pelos vistos falo mal que dói- pode enviar o email para rojáriopontoaleixo- o que se torna explicativo da causa na confusão no interlocutor. Claro que no meu tom másculo e viril fica-se desde logo a entender que Rojário não existe. O que existe é Rogério!
Também já tive a alegria de ver escrito o meu nome como "Ruzário" e ainda pensei em ir ao notário tentar a minha sorte para o mudar para esta forma, mas achei que seria uma luta em vão.
A última pessoa Rosário que conheci foi num jantar. Tinha um ar estrangeiro e achei que devia perguntar o seu nome para tentar entender a nacionalidade. Responde-me com ar triunfal:
- chamo-me Rosário ! hehe...!
(era um homem meu deus...)
(depois de uns bons segundos de latência, consegui grunhir)
- ah! heheh... que giro...
(É UM HOMEM COM O MEU NOME!!)
(TENHO QUE FAZER ALGUMA COISA!)
- pois, sabe que eu também me chamo Rosário... Em Portugal, é nome de mulher já deve saber...! não sei se sabe...mas cá é...não sei...mas cá é de mulher...
(eu estava com o meu ego de nome mesmo muito em baixo...)
- sim, sim, já sabia! Em Itália é de Homem!
(e em Portugal de Mulher!! ouviste?!).
E bom, se proferir o meu nome rápido sou muitas vezes Sara, no estrangeiro explico que sou quase Rose , se for para uma velhinha...não vale a pena explicar, ela própria se adianta em me chamar Rosária ou Rosairinha (mas pode lá ser um nome de menina acabado em "o" ?!).
Enfim, ter este nome é algo que me diverte actualmente, mas sofri um pouco com menos idade, pois diziam que tinha nome de rapaz e as crianças nunca o decoravam. Por isso, desejei muito chamar-me Xana. Tão simplesmente...Xana. Mas só colou lá em casa.
Hoje agradeço ao senhor o belo nome que me deu, Rosarinho que rima comigo.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Easy left, easy right

Uma vez obrigaram-me a participar num peddy paper e eu que odeio correr por correr... mas como isso dava direito a falta justificada, lá fui. E foi das coisas mais divertidas que podia ter feito. Desde ter ataques de riso ao ver umas 30 pessoas a olharem para uma pedra porque ali estaria uma pista qualquer para irem olhar para a pedra correcta, ver pulos de alegria no final da resolução de um problema (ainda faltavam 10 piores), a perguntas desnecessárias "o colibri é mesmo um pássaro, certo?!" e, por fim, ao tentar ver a minha pessoa naquela corrida desenfreada para ganhar por ganhar- eu que nestas coisas não tenho esta humildade e desportivismo. Se ganho ao menos que passe a herdar sei lá... uma volta de meia horita numa daquelas gaivotas podres num lago. A verdade é que a minha equipa acabou mesmo por ganhar. O que foi ainda mais divertido, pois ainda se gerou um certo mediatismo.
Fiz também um rally paper com famelga e amigos. Desde telefonarmos a toda a gente para perguntar tudo, a estarmos comodamente sentados no jipe, até ao nos perdermos, também foi algo que valeu a pena.
Aprendi que programas que desdenhava são afinal os melhores.
Ainda estou para tirar as teimas se o tricôt pode ser libertador.

Oh Laurindinha vem à janela!

Pois... sim..
...a verdade é que ainda me divirto a tocar à campainha e fugir.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

twinkle twinkle little star

E depois desta musiqueta toda faz-me algum sentido falar de diversão, nas sua diversas vertentes.
A palavra "diversão" ganhou entendimento real na época mais despreocupada da minha vida.
Os finais de tarde a jogar às "escondidas" na rua, enquanto me esbarrava diversas vezes no chão, é das melhores memórias de êxtase que guardo. O "quarto-escuro" nos aniversários dos amiguinhos também era hilariante, dava tempo para guinchar de medo como se quem fosse entrar não fosse um de nós e dava igualmente tempo para partirmos literalmente o quarto todo, bem como ainda vingarmo-nos de algum elemento grupal menos desejável.
Como este tipo de jogos havia milhentos, milhentos que mais não tinham que a simplicidade de sermos uns putos ocos e estúpidos ( e ao mesmo tempo tão espertos) de nos sabermos divertir com umas corridas, uns gritos, uns saltos e uns esconderes muitas vezes capazes de envergonhar agentes F.B.I (eu cheguei a esconder-me num armário de cozinha, em contacto com a secção tupperware). Tudo o que envolvia gritos de terror numa corrida era garantia de que o jogo era divertido!
Depois existe o verbo evoluir que nos impede de permanecer, com muito pesar meu, neste registo de divertimento.