quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Está bem, abelha!

Não sou a maior fã dos animais domésticos (já hienas ou javalis, tudo bem!).
Gosto de cães, mas quando são pequeninos e aprendi a gostar de cães da Serra, São Bernardos e Labradores e, se calhar, fico-me mesmo por esta humildezinha lista.
Já gatos....como dizer...põem-me doida!! Olho para um gato e dá-me uma extrema vontade de o pontapear. Não podia ser mais sincera.
O meu problema com os cães é que, na maioria dos casos, gosto mais de os ver ao longe.
- está todo contente! - quando começam naqueles saltos em que se elevam até à minha cara e ladram e pulam e vão e voltam, em movimentos esquizóides. Ninguém lhes entende a rota quando estão então felizes.
- pois...está contente, mas alegrias excessivas nunca fizeram bem a ninguém!- defendo-me sempre naquele tom de contadora de histórias, enquanto fecho os olhos depois de os ver cavalgar na minha direcção.
Não consigo meter a minha mão na boca deles e estar naquele movimento terno e brincalhão como se fosse eu um cão também e quisesse espicaçá-lo.
Temos realmente medidas diferentes de alegria e isso afasta um pouco o mundo animal de mim.
- ele não faz mal, não tenhas medo!- quantas vezes eu já ouvi isto enquanto percebia perfeitamente que se eu não saísse de cena levava uma boa mordidela, mas isso realmente não é fazer mal. Os cães é que são muito brincalhões! Mal fazem os raios u.v.!
A última vez que tentei entender a jovialidade de um cão, foi num dia de neve a explorar a cidade. Não tivémos aulas, o que é que vamos fazer? vamos meter-nos pelos trilhos mais desconhecidos que é tão lindo!!
Chegadas a um ermo qualquer, um cão a ladrar, a ladrar, a ladrar e a cavalgar. Não pude fechar os olhos como eu gosto e gritei. Mal, eu sei. Mas gritei e arriva uma senhora, qual Evita, à varanda da única casa que ali existia e eu em plenos pulmões:

- O CÃO É SEU?!
- É.....!
- ENTÃO CHAME-O POR AMOR DE DEUS!!!!!
- eh...também tenho medo dele....

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Caramba Obama

Vá lá...
Acalmem-se lá com o Obama.
Pode ser o ínicio de muita coisa, o homem parece efectivamente promissor, é uma alegria muito grande entender isso, há muita fé, há esperança, há sonhos, há magia no ar, mas vamos acalmar-nos.
Já não aguento ver, ouvir e presumir um yes, we can. Já mete fastio.
Estou com medo de ter sonhos com o Obama e a sua dream-real-family.
Estou enjoada desta tour de eleições americana.
Eu sei que é muito importante, juro que sei!!
Mas vamos dar espaço ao senhor para mostrar o que vale, sem alaridos e fundamentalismos, vamos deixar que ele devolva ao mundo um pouco mais de sensatez, normalidade, equilíbrio, simplicidade e justiça, tal como estamos todos a acreditar que ele seja capaz, que ele seja O homem.
Temos é de nos acalmar um bocadinho.
E eu preciso particularmente de umas férias de bandeira dos States a esvoaçar por entre discursos eficazes, gritos de alegria, choros de oh-my-god e acenares triunfais às massas crentes.
Obama, tu dá-lhe, há todo um mundo de positivismo nos teus ombros, mas faz-te à estrada e, passo o plágio, VAIMASÉTRABALHAR!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Força de viver

O pior às vezes é mesmo nunca a perder.
Ter sempre presente que existem coisas muito importantes e maravilhosas que, no geral, nos fazem agarrar a vida com unhas e dentes. Ter sempre a capacidade de esquecer o horrível que é estar numa fila de trânsito nas vésperas de um exame da faculdade e sentir o estômago prestes a sair pela boca, o horrível que é ser-se adolescente (o que por si só já pode ser motivo mais que plausível) receber um telefonema às 10 da manhã de uma mãe ou pai, logo à noite já conversamos minha menina: acabaram-se as saídas este mês!!, agonizar o santo dia até ouvir a chave na porta de casa, o horrível que é o primeiro desgosto amoroso e ter a exactidão tão firme que aquele ser de 12 anos que anda à pedrada no carro do professor de matemática é o nosso amor da vida, o horrível que é começar a avistar a pauta onde poderá estar uma nota não desejada, o horror da zanga de um melhor amigo e os minutos antes de o vermos, o horror de entrarmos para o banho e acabar a água quente, o horror de nos perdermos de carro sem gasolina, e um sem fim de horrores que momentaneamente nos põem a ferver e pensamos que talvez o balançar na ponte 25 de Abril seja uma opção, mas só ali, naquele instantinho de desespero, e depois poderíamos "voltar". E vistas bem as coisas, tudo isto é secundário e passageiro.
Mas hoje eu quis ir e voltar.
Trabalhar até à hora de ir dormir, no belo do escritório, a preparar com afinco a coisa X. Vamos chamar-lhe assim, para não agoirar mais. Coisa X, pronto.
Dormir pouco, acordar, estar cansada logo a uma 3a feira, chegar ao belo do escritório (tu outra vez?), abrir o pc, abrir o pc...., não ver o documento no ambiente de trabalho (onde deveria estar), não o ver em mais recanto algum do disco rígido, do disco não-rígido...eu sei lá... a coisa X foi à vida dela, passar umas férias bem longe daqui. A informação que tinha em papel, tinha-a rasgado triunfalmente no dia anterior, aquando da conclusão da coisa X e, portanto, lixo.
Olá suores frios, olá engolir em seco, olá verbalização para os demais colegas, olá pânico!
Visões dos meus braços pendurados na estrutura metálica da ponte 25 de Abril, o vento a fazer-me ganhar balanço e a mandar-me por aquelas águas onde iria descansar sem pensar mais na coisa X.
A força de viver ali bem ao nível dos meus tornozelos.
Mas depois até que fica grande, até que vou falar com o senhor porteiro e perguntar onde poderá estar eventualmente o lixo, onde jazz o triunfo em papel de outrora.
Encarar o lixo das empresas alheias, encarar o lixo da empresa onde quis morrer hoje.
A força de viver agora ali bem ao nível de Plutão quando vi a papelada envolta em restos de café e leite alpro de soja já apodrecido (ainda bem que era teu minha Gui), agarrar no saquinho e dizer-lhe vou levar-te comigoooo!
Foi bonito. Haja saúde.