quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Está bem, abelha!

Não sou a maior fã dos animais domésticos (já hienas ou javalis, tudo bem!).
Gosto de cães, mas quando são pequeninos e aprendi a gostar de cães da Serra, São Bernardos e Labradores e, se calhar, fico-me mesmo por esta humildezinha lista.
Já gatos....como dizer...põem-me doida!! Olho para um gato e dá-me uma extrema vontade de o pontapear. Não podia ser mais sincera.
O meu problema com os cães é que, na maioria dos casos, gosto mais de os ver ao longe.
- está todo contente! - quando começam naqueles saltos em que se elevam até à minha cara e ladram e pulam e vão e voltam, em movimentos esquizóides. Ninguém lhes entende a rota quando estão então felizes.
- pois...está contente, mas alegrias excessivas nunca fizeram bem a ninguém!- defendo-me sempre naquele tom de contadora de histórias, enquanto fecho os olhos depois de os ver cavalgar na minha direcção.
Não consigo meter a minha mão na boca deles e estar naquele movimento terno e brincalhão como se fosse eu um cão também e quisesse espicaçá-lo.
Temos realmente medidas diferentes de alegria e isso afasta um pouco o mundo animal de mim.
- ele não faz mal, não tenhas medo!- quantas vezes eu já ouvi isto enquanto percebia perfeitamente que se eu não saísse de cena levava uma boa mordidela, mas isso realmente não é fazer mal. Os cães é que são muito brincalhões! Mal fazem os raios u.v.!
A última vez que tentei entender a jovialidade de um cão, foi num dia de neve a explorar a cidade. Não tivémos aulas, o que é que vamos fazer? vamos meter-nos pelos trilhos mais desconhecidos que é tão lindo!!
Chegadas a um ermo qualquer, um cão a ladrar, a ladrar, a ladrar e a cavalgar. Não pude fechar os olhos como eu gosto e gritei. Mal, eu sei. Mas gritei e arriva uma senhora, qual Evita, à varanda da única casa que ali existia e eu em plenos pulmões:

- O CÃO É SEU?!
- É.....!
- ENTÃO CHAME-O POR AMOR DE DEUS!!!!!
- eh...também tenho medo dele....

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Caramba Obama

Vá lá...
Acalmem-se lá com o Obama.
Pode ser o ínicio de muita coisa, o homem parece efectivamente promissor, é uma alegria muito grande entender isso, há muita fé, há esperança, há sonhos, há magia no ar, mas vamos acalmar-nos.
Já não aguento ver, ouvir e presumir um yes, we can. Já mete fastio.
Estou com medo de ter sonhos com o Obama e a sua dream-real-family.
Estou enjoada desta tour de eleições americana.
Eu sei que é muito importante, juro que sei!!
Mas vamos dar espaço ao senhor para mostrar o que vale, sem alaridos e fundamentalismos, vamos deixar que ele devolva ao mundo um pouco mais de sensatez, normalidade, equilíbrio, simplicidade e justiça, tal como estamos todos a acreditar que ele seja capaz, que ele seja O homem.
Temos é de nos acalmar um bocadinho.
E eu preciso particularmente de umas férias de bandeira dos States a esvoaçar por entre discursos eficazes, gritos de alegria, choros de oh-my-god e acenares triunfais às massas crentes.
Obama, tu dá-lhe, há todo um mundo de positivismo nos teus ombros, mas faz-te à estrada e, passo o plágio, VAIMASÉTRABALHAR!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Força de viver

O pior às vezes é mesmo nunca a perder.
Ter sempre presente que existem coisas muito importantes e maravilhosas que, no geral, nos fazem agarrar a vida com unhas e dentes. Ter sempre a capacidade de esquecer o horrível que é estar numa fila de trânsito nas vésperas de um exame da faculdade e sentir o estômago prestes a sair pela boca, o horrível que é ser-se adolescente (o que por si só já pode ser motivo mais que plausível) receber um telefonema às 10 da manhã de uma mãe ou pai, logo à noite já conversamos minha menina: acabaram-se as saídas este mês!!, agonizar o santo dia até ouvir a chave na porta de casa, o horrível que é o primeiro desgosto amoroso e ter a exactidão tão firme que aquele ser de 12 anos que anda à pedrada no carro do professor de matemática é o nosso amor da vida, o horrível que é começar a avistar a pauta onde poderá estar uma nota não desejada, o horror da zanga de um melhor amigo e os minutos antes de o vermos, o horror de entrarmos para o banho e acabar a água quente, o horror de nos perdermos de carro sem gasolina, e um sem fim de horrores que momentaneamente nos põem a ferver e pensamos que talvez o balançar na ponte 25 de Abril seja uma opção, mas só ali, naquele instantinho de desespero, e depois poderíamos "voltar". E vistas bem as coisas, tudo isto é secundário e passageiro.
Mas hoje eu quis ir e voltar.
Trabalhar até à hora de ir dormir, no belo do escritório, a preparar com afinco a coisa X. Vamos chamar-lhe assim, para não agoirar mais. Coisa X, pronto.
Dormir pouco, acordar, estar cansada logo a uma 3a feira, chegar ao belo do escritório (tu outra vez?), abrir o pc, abrir o pc...., não ver o documento no ambiente de trabalho (onde deveria estar), não o ver em mais recanto algum do disco rígido, do disco não-rígido...eu sei lá... a coisa X foi à vida dela, passar umas férias bem longe daqui. A informação que tinha em papel, tinha-a rasgado triunfalmente no dia anterior, aquando da conclusão da coisa X e, portanto, lixo.
Olá suores frios, olá engolir em seco, olá verbalização para os demais colegas, olá pânico!
Visões dos meus braços pendurados na estrutura metálica da ponte 25 de Abril, o vento a fazer-me ganhar balanço e a mandar-me por aquelas águas onde iria descansar sem pensar mais na coisa X.
A força de viver ali bem ao nível dos meus tornozelos.
Mas depois até que fica grande, até que vou falar com o senhor porteiro e perguntar onde poderá estar eventualmente o lixo, onde jazz o triunfo em papel de outrora.
Encarar o lixo das empresas alheias, encarar o lixo da empresa onde quis morrer hoje.
A força de viver agora ali bem ao nível de Plutão quando vi a papelada envolta em restos de café e leite alpro de soja já apodrecido (ainda bem que era teu minha Gui), agarrar no saquinho e dizer-lhe vou levar-te comigoooo!
Foi bonito. Haja saúde.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

oh not happy days

Estas primeiras chuvas são como uma coroa de espinhos na minha cabeça.
Não me chegam a deprimir, mas são uma espécie de formigueiro que me percorre o corpo de revolta. Revolta que me obriga a pôr uma lente menos positiva do que é costume.
Há 5 minutos atrás dei por mim, aqui, sentadinha em frente a uma papelada e uns emails, a sentir que algo de horrível e de triste se estava a passar na minha vida. Uma melancolia que era menina para chorar. Aquela sensação de quando estamos a dormir e acordamos em sobressalto porque algo de angustiante se está a passar nas nossas vidas e não sabemos identificar nos primeiros segundos, acordei porque vou ser presa? acordei porque me vão amputar um braço? ah sim sim, vou ao dentista depois de almoço amanhã!, essa sensação de não identificar o que causa esta aceleração cardíaca de desânimo, mas que viro a cara para o meu lado esquerdo e entendo. Fiquei pasmada a olhar pela janela a chuva a gozar-me lá fora, aos gritos, em manada...
Como te odeio chuva, como me enervas, como me pões em transe, como me pões desgrenhada e ainda tenho de ouvir os está-muito-despenteada-hojeeee, como me fazes estar dentro do carro mais tempo a perseguir uma gota ridícula no vidro só porque quero esperar que ela chegue até às escovas do limpa pára-brisas e ver se entretanto ganhei mais coragem para te enfrentar, és um nojo, odeio-te e só os agricultores gostam de ti.

terça-feira, 28 de outubro de 2008



E é mesmo isso, já estou farta do meu blog!! A-ha!
Despeçam-se dos posts por teminhas pois essa disciplina estava a impedir que toda a parvoíce fluisse naturalmente no meu cerebelo !
Assim vou passar a poder não falar do Obama à mesma, vou poder repetir relatos inchados de ódio nas minhas segunda-feiras, vou poder enganar-vos e dizer que vou de férias quando efectivamente não vou, vou poder continuar a ignorar o crash bolsista, vou falar um dia do quanto odeio gatos e no seguinte de super maxis, vou falar de receitas de culinária que nunca fiz, vou enjoar pela repetição, vou enjoar pela repetição, vou enjoar pela repetição, vou enjoar pela repetição, vou enjoar pela repetição, vou enjoar pela repetição ( fantástico, não é?).

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

soja,soja,soja,soja

Os rebentos de soja foram o meu primeiro enigma nesta nova era alimentar.
Primeiro, o termo "rebentos" traz-me de imediato à cabeça o verbo rebentar. Foi algo que rebentou e agora andamos todos a comer o produto da rebentação.
Não me parece lá muito bem. Mas isto sou eu.
Depois...o soja? a soja? onde nasce? porque é que a minha avó nunca me falou em soja? o que é concretamente?
Eu sinceramente não sei e o gajo que se lembrou de nomear isto também devia estar um pouco rebentado.
Às tantas o mítico Marco do big breda (saudades das tuas lágrimas Teresa Guilherme).

terça-feira, 14 de outubro de 2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Quiz

Como é que é possível gostar-se de cebola cozida?

a) porque não temos papilas gustativas;

b) porque nos lembram lesmas e é divertida essa imagem;

c) porque nuncos nos lembrámos verdadeiramente de emitir um juízo de valor sobre uma boa posta de cebolinha cozida e agora, pensando bem, é de vómitos.


(agora entendo).

Icebergue alimentar

Vocês quando eram miúdos parvos também comiam gemadas quase diariamente?
Também tiveram esse período inexplicavel de adição ao ovo líquido?
Como é que eu permiti a mim mesma esse deboche?
Gostar de partir o ovinho, deitar num copo e despejar um rio de açucar para cima...
...mexer muito bem e comer aquela gosma amarela. Como?

oooora...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Somos o que comemos

A propósito de conversas estranhas com malta que diz que come bem, vou pois abordar a roda dos alimentos.
Muito mal se come hoje em dia (digo eu que como mal).
Mas para quem é esquisito e pouco dado a novas aventuras nestes trilhos, vivem-se tempos realmente difíceis.
Existe um café a atirar para o posh nesta rua onde sou escrava, que tem muitas coisas diferentes. Tão diferentes que eu não consegui comprar o meu almoço e levava na alma essa vontade.
"Esta quiche é de quê?"
"É de alho francês e beringela!"
(Tudo bem...eu nunca fui muito de quiches. Calma.)
"E este folhadinho?"
"É de tofu!"
(temos um problemita...a que saberá tofu? e se eu nunca quis saber ao que sabe, vou hoje querer?....eh...adiante...)
"E este de massa tenra?"
"Ah! esse tem pesto e tshomin"
(ok. o "tshomin" para já ainda é produto da minha imaginação e má audição. Tudo bem. Mas foi algo do género que a senhora proferiu).
Foi vergonhosa a forma como me rendi ao meu classicismo alimentar. A verdade é que sou obtusa e extremamente fraquinha em desbravar caminhos como o do tofu e da beringela e do alho francês avec nozes caramelizadas . Não vale a pena.
Faço parte daqueles saloios que se sentam num banco feito de granito, ao solinho, a ver passar a procissão e a comer côdeas de pão com manteiga.
Somos o que comemos, sou uma rural.

Shiiiiiu...

Termino com o tique do silêncio quando algo parece não correr bem.
Tenho já um exemplo muito concreto: lá vão uns valentes dias em que a nova mascote do multibanco invadiu os ecrãs onde nos especamos à espera do dinheiro ou do talão.
Podemos comentar isso agora aqui que ninguém vê?
O que é aquele boneco medíocre?
Ainda pensei que o atm, onde constatei pela primeira vez a dita nova mascote, que estaria num update qualquer e, portanto, para não gastar tanta energia, estaria num modo ms-dos aplicado aos multibancos (eu sei que nada disto existe, mas entendem a ideia de um programa primário).
Quando começo a perceber que o boneco, com cara de meteram-me-aqui-e-agora-não-posso-sair-e-pior-que-tudo-é-que.tenho-de-ter-o-sorriso-colado, é afinal o novo substituto do outro que foi embora e que era muito mais simpático, risonho e marcante. É que eu amava aquele pestanejar de olhos e era como família já.
Este novo boneco do multibanco é ridículo.
Ridículo, amorfo e tem mesmo cara de quem não quer estar ali.
E, pelo menos, dia sim, dia não todos nós vamos a um multibanco. Como é que ninguém comenta isto? como?! não sentem falta do outro que nos acompanhou durante anos? que ficava triste por nos mandar a outro multibanco? que tanta conversa nossa ouviu, que tanta fúria nas teclas teve de aguentar? acham isto justo? e é com este silêncio nacional?
Este verde de sorriso imbecil e com os braços no ar... não vai ser fácil conformar-me, não vai.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Aqui há tique IV

Ora, ora, ora...
well, well, well...
Este é um dos tiques que eu mais aprecio na humanidade.
As estatísticas devem dizer que 1 em cada 2 sujeitos não consegue conter o espanto perante um espetáculo de pirotecnia.
Mesmo se fosse possível juntar uma categoria de velhinhos, na casa dos 90 invernos, daqueles jarretas refilões e que tivessem visto mais de 500 espetáculos destes, garanto-vos que uma fatia considerável deles iria dar mostras de espanto.
É um fenómeno.

- oooooooooh
- iiiiihh! olha ali aquele......eh pá.....tão lindo....(snif....)
- eh...eh lá.....aaaaaaaahhhhh
- tão lindo...... oooooooooh......

É mais forte que nós. É mais forte que o feitio mais introspectivo. Não há quem aguente estar perante estas luzes no céu e não deixe escapar um ooooooh...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Shampôs há muitos

Também os rótulos dos shampôs têm algo de viciante. Prometem tudo caramba.
Os seus cabelos vão ficar assim, assado, cozido, grelhado, tostado e salteado.
E eu acredito, ali uns segundos, que aquele é que sim. Aquele é que deve ser mesmo diferente. Aquele é que tem as propriedades mágicas. Ui, nem quero imaginar de tão sedoso, brilhante e único que vai ficar. Ai ai, que vou levar, ai que eu vou lavar o cabelo, ai que eu vou lavar o cabelo com a poção mágica, olhem que lá diz que é mágico. Ai que já estou a lavar, olhem que isto seca num instante, ai que é hoje que eu vou entender os gritinhos das mulheres da herbal essences no meio de folhas de plátanos, ai que já lavei o cabelo, ai que já secou.
meu deus....

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Eu é que não sou parva!

Hoje em dia já não há grátis para nada.
O grátis de hoje implica sempre um custo, um esforço ou uma figura triste.
Ainda sou do tempo dos grátis, grátis, grátis, mas mesmo grátis.
Uma entrada grátis porque pertencia à classe das crianças.
Umas pastilhas grátis porque vinham anexadas a um pacote de batatas fritas.
Uma bicicleta grátis porque se juntaram cupões de 5 pastilhas gorila e foram remetidos para um apartado qualquer.
Uma viagem grátis por uma frase original e parva sobre o Mário Soares.
Havia sempre qualquer coisa de realmente grátis.
Havia.
Ainda ontem decidi travar na montra de uma agência de viagens (sim, já sei que isso também é uma forma de ultraje a mim mesma...) e lá olho de lado para a palavra "grátis".
Então "grátis crianças".
A frase maravilha com um boneco bebé muito sorridente. Depois em letras tão insignificantes que até me ficaram a doer o olhos do zoom que tive de fazer: "crianças a partir de 399€".
E pensei para mim mesma: mas será que estou a entrar numa espiral de Floribela em que tudo é caro e pobres dos ricos que não têm nada, mas que têm tudo, mas que não têm nada?
Mas não, o grátis é uma mania realmente irritante de os marketeers mostrarem que 90% dos consumidores são acéfalos. Desde quando 399€-uiiiiiiii-ainda-não-somos-400€ é grátis?!
Isto é para uma pessoa se sentir mal?
Ponham "acessível", "bom preço", "vale a pena", "compensa", "pense pelo menos duas vezes". Ponham um sem número de alternativas menos chocantes ao grátis.
Coitado do grátis, mais vendido que as meninas da profissão mais antiga.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Aqui há tique III

Mas havia necessidade de a Tina Turner andar sempre de pernas abertas?
Não havia Tina, tem tino.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Mania de falar mal

Que a futura geração de jovens adultos vai ser muito diferente da que temos actualmente, isso já nós sabemos (quem não sabe fica desde já a saber).
Agora que a futura geração de jovens adultos terá que ter permanentemente a conhecida bolinha vermelha no canto superior direito do ecrã onde actuam, isso já é uma informação mais ou menos nova.
Quem é que nunca leu aquela rúbrica, mail, folha de revista, escrita pelo Nuno Markl em que fala da geração nascida na década de 70 e 80? E o que nos rimos e revimos por sentirmos na pele que andar à pedrada e a comer relva sem histerismo dos progenitores, acabou por nos conferir um status em vias de extinção.
Somos os últimos bons.
Somos os últimos duros.
Somos a última fruta da época. Parece-me que a seguir vem tudo podre.
É oficial que existe a mania de se falar mal. Tem que se falar mal para se ser cool. Tem que se falar mal para se ganhar algum poder.
A grande maioria dos adolescentes (claro que haverá sempre aquela franja de pessoas com idade para terem, pelo menos, linguisticamente juízo) gostam de, numa frase, dizer 10 asneiras e palavras altamente estúpidas a meu ver.
"Está alte dia!".
O que é que facilita dizer "alte"?!
Consigo compreender, por exemplo, o "bué", eu também o dizia em todas as frases que pudesse. Facilita e é nice. Não vamos dizer "muito" e "extremamente" com 17 anos. Temos de ir dizendo "bué", encurta e facilita. Mas já que não é para facilitar, ao menos que tivesse a tal estética cool. Não é o caso. É totalmente forçado.
Mas enfim, estas coisas até escapam.
Agora perceber que existe um tique assumido em saber muito de tecnologiazinhas, o melhor Ipod, a PS3, telemóveis, mp3, programinhas de internet dos mais variados e depois dar calinadas gravíssimas como a que ouvi na semana passada, deprime e de que maneira.
O melhor mesmo é vedarem o acesso a todos os orgãos de poder a esta futura geração.
Temo que não consigamos ter uma velhice digna.
Portanto, ia eu no metro, na minha viagem para casa e um grupo de estudantes universitários ao meu lado a trocarem as mais diversas impressões. Chega o momento que me marcou, vindo de um ser que teria, no mínimo, 20 anos:
- ya....acho que isso é tipo aquelas cenas das árvores ginecológicas!
E o grupo continuou a falar, sem riso geral, sem correcção, sem achar que foi dito ali algo de mais ou menos incorrecto, pouco científico, inexistente.
Um grupo de 8 pessoas, meus amigos. 8 pessoas, só ali.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

E depois o Chocapic...


Então mas alguém me sabe explicar porque tanto gostamos nós de ler os rótulos de cereais quando nos decidimos abancar a tomar o pequeno almoço (long time, no see ) ?
Alguém me sabe explicar porque é que de repente queremos tanto ler o regulamento para o concurso "sê um chocapic na tua escola"?
Alguém me sabe explicar porque é que os valores nutricionais da porcaria dos cereais têm tanta importância naquele momento e a seguir vamos almoçar um bife com batatas fritas que rebenta certamente com o que seria desejável em termos nutritivos?!
Alguém me sabe explicar porque é que quando vemos DDR* , somos impelidos a ir confirmar que somos até cultozinhos e que significa mesmo Dose Diária Recomendada?
Não estou sozinha neste mistério, pois não?!

Porquê?

Oh pá, mas porque é que eu não consigo ouvir uma música seguida no carro? porquê?! É que não me consigo controlar. É mais outra tara ou mania ( como diz o meu querido amigo Marco Paulo- que saudades das tuas músicas, Marco...) que se tem vindo a agravar na minha pessoa. Não consigo aguentar uma música inteira no carro, não consigo ouvir mais 2 de minutos a mesma frequência de rádio, não consigo ouvir mais de 5 músicas do mesmo cd, não dá.
Nas viagens levo sempre o porta-luvas aberto para ir tirando todos os conjuntos de cd´s e desenvolvi, aliás, uma destreza incrível em abrir o porta-cd´s, analisar bem o que vou querer, ejectar o cd que já fartou, inserir o que não vai durar muito, enfim. Nisto já sou boa! Em Portugal, devo ser a mulher que mais cd´s muda por km percorrido!
A minha fiel viatura, para piorar mais as coisas, tem um infernal comando no volante que me permite tornar ainda mais esquizóide o rádio.
E pronto é mais um tique. Para a semana há mais.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Aqui há tique II

A amiga Judite de Sousa junta-se à grupanga dos tiques!! Fala (e fala bem, sim senhor!) com um cunho diferente nos "r"s. O seu "sotôd" porque não consegue dizer "sotôr", o seu "percebed" porque não consegue dizer "perceber" e o seu "azad" nesta sua relação com a letra R só para ter 99,999999% de legitimidade quando está a falar!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Simpatia- esse tique!

Existe um senhor porteiro do prédio onde trabalho com um tique de (extremamente) bem com a vida. E é um tique de bem com a vida porque só isso pode explicar porque é que este dito senhor é sempre tão cordial, seja aquilo osso do ofício ou não! A verdade é que sai-lhe com muita naturalidade e sentimento.
Então uma pessoa passa de manhã, bem trombuda, com azia na voz e sangue quase a jorrar dos olhos, e não é que ele não se demove da simpatia?! Avanço meramente com o meu bom dia social, ao que ele responde sempre com um bom dia espontâneo, sentido e amável! Vocês acreditam nisto?!!! Não é de uma pessoa o abanar, como se abanam aquelas máquinas do metro com chocolates quando o que escolhemos fica pendurado!!
E o pior é que nunca se fica por uma deixa espontânea, meiga e simpática! Diz pelo menos duas de seguida. Não há quem o iguale, NÃO HÁ! É o tique da simpatia, a compulsão de proferir, pelo menos, duas agradáveis notas de boas vindas ou despedida.
Já o tentei fintar, encurralar pensando em 3 notas agradáveis sem que ele tivesse a mínima hipótese, a cauda de chance para ser mais simpático que eu. Mas nunca venci, já tive a taça na mão, mas nem que mais não seja ele ganha-me com o remate do "se Deus quiser" completando a minha 15ª nota agradável que possa ter dito sem respirar.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Aqui há tique I

A celina tem diversos aliás. Mas eu adoro (irrita-me, claro) este tique dela de fazer biquinho a cantar à lá je suis graciosa et je tenho um potencial de voz extraordinário!

Tique Award

O prémio para melhor tique vai para os seres que piscam sobremaneira os olhos a falar como se tivessem uma fauna de bichos lá dentro! Muito bom! São os meus favoritos!

Calma que há mais!

Lembrei-me este fim de semana que tenho ainda outro tique. Pelo menos uma vez por dia, gosto de fixar os olhos numa direcção qualquer e só os desviar quando começam a arder! E acreditem ou não são uns valentes segundos de paz que acabo por conseguir! Uma paz seguida de um ardor, o que segue a regra nr. 34 da vida- gozar-para-depois-sofrer. Vá e não me venham com tretas que eu sei que não sou a única com estes lances meios masoquistas! Sei de pessoas (imagino que muitas congelem com esta minha afirmação muahahah) que quando têm uma ferida, passam o dia a arrancar a crosta e de alguma forma a magoar ainda mais o local afectado e sei de outras que estão sempre a morder o lábio até fazer ferida! E estes são tiques e dos maus!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Tique da Rosa

Para poder gozar com os tiques alheios, lá terei de revelar o meu, não é verdade? Se bem que não é um tique, é um problema, mas com aspecto de tique, mas problema, mas tique, mas problema, mas tique (adoro isto!!).
Bom, eu fui em tempos uma miúda com um ritmo de vida bem completo: sem vícios, estudante e desportista. Deste tempo áureo, resultaram duas deficiências físicas: os meus braços, que ficaram tortos, e os meus joelhos, que ganharam vida a mais.
O tique (mas problema) é que tenho de estar sempre a estalar os joelhos quando estou parada. Então, xotôr, o que se passa é que dá-se-me uma espécie de dor, ardor e sensação que está uma articulação presa e tenho de estalar. Portanto, às vezes estar sentada em espaços muito confinados, como um carro, ou ter pessoas à minha frente sentadas, como num café, é sempre problemático, pois para estalar preciso de esticar e dobrar a perna. Enfim, já vão uns aninhos disto. O último médico que analisou este problema foi positivo "...é algo que a vai acompanhar até ao fim da sua vida, mas pode sempre tomar umas coisitas que podem ajudar, mas também nada de especial...". Conclusão: tenho a honra de ter o meu problema-tique-insolúvel a acompanhar de muito perto o meu percurso existencial!
Este é o meu tique e tu já tens o teu?!

Vou falar de tiques

Parece-vos um bom tema, não parece?!
Eu cá sabia que sim.

(Interrompemos a emissão....)

(...para comunicar, pela primeira e última vez, um assunto sério neste blog.
Estou potencialmente apaixonada. E por quem? perguntam vocês e muito bem!
Minhas amizades, vou ser tia!! TIA!
O meu sobrinho loiro vai ser a minha próxima paixão!
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Meu bébe loiro,
A tia está muito deserta que chegues para te ir desfilar por esse mundo fora, vais comer muitas gominhas, dizer muitas cretinices, vais ser fã de pizzas e afins, vou-te buscar no meu Vitorino e lá iremos espalhar magia pelo trânsito, vais dizer tia Rosaretti antes de dizer Mamã e Papá, vais decorar o meu número de telefone de forma muito precoce, vais gritar muito para casa dos teus pais de cada vez que a tia tenha de te deixar lá, vais querer ir para os parques infantis abominar os outros miúdos, vais andar ao meu colinho muito abraçado a mim, quando aprenderes a andar dás sempe a mão a tia, quando as velhas beijoqueiras te chatearem dizes que não queres dar beijinhos porque elas picam, vais acreditar no Pai Natal só até aos 4 anos e vamos ser muito fãs um do outro, boaaa?
A tia Rosa já tem o coração a esticar para ires para a suite presidencial.
Até já meu sobrinho bebé! )

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O post das férias


É que eu sei que se um tipo não fala de férias sente-se um outsider. Portanto, o procedimento normativo será o relato mete-nojo, ainda que tenha que recorrer à aldrabice. Deverá igualmente queixar-se por não permanecer nesse regime bucólico o ano inteiro.
Mas eu só digo verdades, minha gente... as minhas férias começaram com um salto em queda-livre e mais não digo (não vos quero roídinhos).

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Pedalar...

Há uma imagem minha que me faz sempre rir.
De todas as vezes que andava de bicicleta caía e esta acabava sempre em cima de mim. Não havia queda em que nos separássemos. Eu e o celim funcionávamos como uma espécie de cordão umbilical.
Mas um dia achei que isso ia acabar, quando atrás de minha casa, lá andava eu a pedalar por aquele espaço onde ocorria toda uma dinâmica de obras, montanhas de cimento, betão armado e camiões. Pedalava sem fim enquanto contemplava o horizonte, até ouvir um buzinar monstro de um camião que era, afinal e no fundo, o meu real horizonte. Era então o meu horizonte com uma grelha Salvador Caetano ao encontro da qual eu tão sabiamente estava a ir.
Assustei-me de morte quando me vi tão perto daquele monstro, travei o que pude, mas fatalmente o movimento atlético deu lugar a uma desinteria de curvas e contracurvas, em série e inacabadas, que me fez mandar um vôo digno de ovação.
Acabei no chão, safa de ter entrado directamente para aquela grelha, desgrenhada com os joelhos completamente rafados.
O mito, contudo, permaneceu. Eu fui o Pikolin daquele celim.