segunda-feira, 13 de julho de 2009

E se de repente

e pela primeira vez aos 27 anos me der medo de andar de avião?
Pois.
Lá estava eu sentadinha no avião, lugar à janela como eu gosto, refastelo-me bem na cadeira e começo a ver aquela papelada toda que uma pessoa tem à frente, nas costas da cadeira.
Vejo a papelada, penso se desliguei os telefones, olho para o passageiro do lado e vejo que ele já pôs o cotovelo no apoio de braços, ou seja, não vou poder ir à imperatriz, vou então verificar se tem o pé no espaço que lhe é confinado e já tem um pouco enviesado para a minha área, penso se será daqueles que adormece e vai lentamente caindo para cima das pessoas, o que é espectacular, e penso também que o tempo livre a mais dá para uma pessoa ter este tipo de olho clínico.
Bom, as regras de ouro de segurança, que eu desde já fiquei com o anúncio da Bacardi na cabeça e, por muito que eu não queira, recrio sempre essa cena, a minha mão quase a ir por debaixo do assento para verificar mesmo se lá está o colete e olhar melhor para o espaço que tenho entre as minhas pernas e a cadeira da frente.
O Sr. Comandante avisa que entrou na pista de descolagem e que lá vamos nós.
E penso " e se agora isto se esbarra?!".
Inicio do problema.
Olho melhor para o passageiro ao meu lado, poderá ser a última tromba que vejo. Está a ler uma revista e come castanhas de cajú.
O avião está com o nariz para cima, e eu não sei se saio desta. Começo a transpirar das mãos e penso se deva gritar. Se calhar é melhor não. Permaneço calada e olho de novo para o senhor a dar cabo da lata de castanhas de caju que, incomodado pelo meu olhar de mono, pega num lenço de papel e limpa o bigode. Quis explicar-lhe que o problema não estava no seu bigode, mas na minha cabeça. Como nos filmes e nas telenovelas: o problema não és tu, sou eu.
Aí estamos nós no ar. As pessoas desatam a ir ao wc e a levantar-se como se houvesse ali uma loja do cidadão ou um shoppingzinho. Desatam a ir buscar coisas às malas, desatam a trocar uns galhardetes, bem alto, A MINHA MALA ESTÁ AQUI AO PÉ DA TUA, OUVISTES?!, desatam a mexer loucamente nas costas das cadeiras e a apontar para as nuvens ou para a casa da tia Josefa que ainda se vê o carro dela dali de cima.
Eu siderada pela minha própria esúpidez, lá fui caladinha e quietinha, a recompor-me do meu momentum de eternidade-zero.

Da próxima vez, levo castanhas de cajú.

3 comentários:

Unknown disse...

"Aí estamos nós no ar. As pessoas desatam a ir ao wc e a levantar-se como se houvesse ali uma loja do cidadão ou um shoppingzinho" - lololololol muitooooo bomm. Tenho uma palavra para ti: DUMMIE lolol um grande bem hajam santarenos com familia emigra nas suiças!!!!

Gui-di

Joh disse...

volta lá a escrever Rosinha!!! Amei o post!

Anónimo disse...

GOSTO! queremos mais (VEZES!!!!!)