Não existe nada mais irracional e impossível de ultrapassar que o meu terror ao Freddy Krueger.
Já percebi que é um filme, já percebi que ele não salta da televisão para as almofadas do meu sofá, já percebi que é um actor com plasticina na cara e que aos domingos certamente irá ao supermercado comprar smarties aos filhos. Já percebi!
Acontece que não ultrapasso e que, em vida, nunca deveria ter visto um segundo daquela saga.
É um bocadinho triste ser um ser humano de 27 anos, cansada dos berbicaxos do dia, estar a pensar o que resolver nas minhas férias e...de repente, um clique vindo da cozinha............ sento-me logo direita no sofá, finjo para mim própria que não estou com medo nenhum e fixo-me no anúncio do calgon, anti-calcário. Chamo à razão todas as idiotices em que uma pessoa se põe a pensar e continuo a ver televisão.
Estou tramada, já estou a pensar no penoso trajecto até ao meu quarto.
"Como é que vou passar no corredor??!" e aí já é tarde demais.
Já imagino o bom do Feddy a afiar a sua luva de lâminas na bancada da minha cozinha e, na minha corrida, ouvi-lo soltar aquela gargalhada tenebrosa, enquanto ele anda devagar e eu supersónica, vai-me aparando as pontas do cabelo (menos mal, já estão espigadas) e vão-me saindo os berros pelos olhos. Por mais que eu fosse uma Rosa Mota eles, os monstros, nos filmes têm sempre a perna mais longa.
Passo então e não houve Freddy, nem cabelo cortado, nem a canção infantilo-sádica, nem lâminas, nem cara queimada atrás de mim. Mas é sempre dele que me lembro quando o frigorífico estala e eu não reconheço.
2 comentários:
Oh Rosinha, partes-me o coração com este teu lado mais inofensivo!! looll
muito bom, também tenho receio desse senhor! a tua escrita é fantástica, mas escreves pouco! ;)
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